11/22/2015
AS LEMBRANÇAS DA EMBOSCADA
Na testa da Companhia, nas "picadas" da floresta, exposto ao sol do meio dia, agastado de agonia não me esquecia da véspera! Descobri o inimigo lá no meio das mangueiras, senti ali bem perto o perigo e disse cá para comigo, não vou ter boas maneiras. Ouvi tiros. Havia "festa", reconheci os tiros da (Breda) foi à entrada de Miteda e assim acabava a sesta! Era nova emboscada a valer e logo deixei de escrever, voltei a ser guerrilheiro, cumprindo assim com o meu dever, sem vacilar nem tremer, a guerra estava primeiro. Ouviram-se gritos de alerta, muitos trovões e a chover e o meu instinto desperta, para aquela morte agora certa, foi o Nogueira a morrer!! Ainda hoje guardo em mim, o horror daquele dia e só Deus sabe o que senti, a morte ali junto a mim e uma guerra que eu não queria!!
MÁRIO DE OLIVEIRA
O HOSPEDE DO CONTENTOR
Vestindo Calça de ganga, toda suja e já coçada, impassível ele não se zanga e já nem se alegra com nada. Teria talvez noventa anos, mais cinco ou menos dez, da vida os desencantos! e uns sapatos velhos nos pés! A camisola já sem cor, esburacada e surrada, remexia o contentor, em busca de quase nada. Procurando qualquer resto, roupa velha fruta ou pão, ia metendo no cesto com gestos de satisfação... Um sujeito bem vestido, que de lado fugia ao odor do contentor, disse num gesto ofendido (larga o lixo meu estupor). Foi então, que levei as mãos ao meu rosto e senti um nó na garganta; chorei tanto de desgosto! Chorava como quem canta!! Vós leitores, que sois filhos irmãos e pais e se comungais da minha dor e com desprezo hospedais, o nosso irmão num contentor!!
MÁRIO DE OLIVEIRA
11/21/2015
AS GARRAS DO HOMEM
De África à Europa, de Timor à Líbia, à Síria e ao Irão, as "garras do Homem são", mais terríveis que as do leão! Porque o leão só quando faminto, ataca por puro instinto. Mas as " garras do Homem são"
guiadas pela incompreensão...O que vemos no Mundo inteiro, é a luta pelo dinheiro. Na ânsia constante pelo poder, o Homem sofre e faz sofrer! As suas "garras são afiadas", são terríveis e malvadas, são muito piores que as do leão. As "garras do Homem "são, afiadas pela paixão!!
MÁRIO DE OLIVEIRA
VENTO DE AMOR
Quem me dera ser o vento e ela a" praia" do meu Mar, tomara eu ser o tempo, ser o Sol a Chuva e o Luar! De certo eu afagaria, aquela fina pele macia e teria assim o prazer, de ama-la sem ninguém ver!
Nas lágrimas de solidão, alegria eu lhe daria. Fazia até da noite dia (...) Ouviria os seus lamentos e lhe sopraria a cantar, um lindo Soneto de amar!!
Obs. Este poema foi escrito no ano de 1987 na Cidade de Leiria e ali inspirado.
MÁRIO DE OLIVEIRA
DEDICADO AO PEQUENO RODRIGO
Eu sou o pequeno Rodrigo e para quem não me conhece, sou amigo de quem merece e só quando bem se conhece, se reconhece um amigo! Sou filho da Carla Maria e do Pedro de Oliveira, o meu sonho é ser um dia, um jogador de categoria, numa equipa de primeira. De clube eu sou leão, por isso bom companheiro e tenho um bom coração. Não gosto de confusão e o meu lema é, ficar em primeiro! O meu prazer é viajar, ver terras desconhecidas, gosto de colher e dar, em gestos de acariciar, ervas campestres floridas! São lindas flores do campo, que ofereço à minha maezinha, porque é, ela a minha "Rainha,"e a todos eu amo tanto, mas amo demais a madrinha. A pedalar ninguém me apanha, gosto de arroz com feijão preto, como bem quando é picanha, jogo às cartas com "manha"e em brigas nunca me meto. Dizem que tenho a mania e faltas de educação, mas é tudo demagogia, detesto é comida fria, tendo um restaurante ali à mão.
Nota. Qualquer associação de nomes contidos neste poema, é mera ficção ou coincidência, que nada tem a ver com a realidade.
MÁRIO DE OLIVEIRA
A BELA DESINIBIDA
Ela era ainda muito jovem, alta loira e bonita. Gostei da sua subtiliza, da beleza que irradiava... Ela se bamboleava, com a simplicidade de uma caloira. Tinha uns olhos tão verdes e tão lindos, que até enfeitiçava!... Logo que estacionou o vistoso e luxuoso automóvel, para o bar se dirigiu, sempre muito confiante e sozinha! No bom gosto do seu traje e no gesto que dava ao cigarro, ainda mais se notou, mais se acentuou a sua esbelta linha! Foi então que eu pensei: Te-la para mim seria delirante!! De imediato, senti no meu, o seu olhar de fogo (...) Aquele olhar e daquela maneira, parecia conter o lume de uma fogueira! Deixou-me ainda mais confuso e hesitante! Ela continuou assim, sempre sorrindo para mim. Devorava-me tal como fazia com a tosta mista, que ia trincando com notório apetite. Sorveu delicadamente o suco de laranja e com voz meiga perguntou: És servido? Eu com um nó na garganta, para ali fiquei extasiado, deslumbrado e confundido. De seguida, ela levantou-se, pagou a conta e la se foi embora, com visível ar desiludido!!
MÁRIO DE OLIVEIRA
O ROSTO
Só casario e pinhais vejo eu ao meu redor, mas é de coisas banais que se" constrói" um amor! Vão0 voando as andorinhas, beijando os novos beirais, já vejo abrir janelinhas! Vão chilreando os pardais. Nesta paisagem tão bela, abre-se agora outra janela, aparecendo nela um lindo rosto! Mas que bela esta manhã de Agosto. Sem querer, do meu peito libertei um doce lamento, um beijo de amor lhe e o mandei com o vento!!
Nota. Este poema foi escrito e inspirado na Cidade de Leiria, na Primavera de 1987.
MÁRIO DE OLIVEIRA
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